2015/01/22

SÃO SEBASTIÃO


  A chuva e o frio mais uma vez não estiveram com São Sebastião. A festa foi bastante prejudicada com a intempérie, mas mesmo assim os devotos a São Sebastião não faltaram.
Apesar destes contratempos, o leilão e a tradicional procissão em honra do Santo saiu à rua. 

 

2015/01/21

GNR/POSTO DE COLARES - COMUNICADO


GNR DE COLARES PÕE EM PRISÃO PREVENTIVA ASSALTANTE DE RESIDÊNCIAS



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No dia 13 de Janeiro de 2015, pelas 22H00, foi detido, no Bairro do Totobola, pela GNR de Colares um indivíduo de 23 anos de idade, residente em Rio de Mouro, assaltante de residências e conhecido pelo “Homem Aranha do Cacém”.

Após terem sido vítimas de furto, no valor de 15.000€, os lesados contactaram o Posto de Colares. Durante a inspecção feita ao local, os bens furtados foram encontrados, dissimulados num canavial nas imediações da residência furtada.

De imediato foi desenvolvida uma operação policial de vigilância e detecção dos meliantes, o que culminou na detenção em flagrante do autor do furto, quando este regressou ao local do crime para recuperar os bens que não conseguiu levar na altura do furto, tendo-se recuperado uma caçadeira, dois computadores portáteis, um Tablet, uma máquina fotográfica e um telemóvel.

Durante o dia 14, Desenvolveram esforços, a fim de apurar o paradeiro das jóias que também haviam sido furtadas, o que culminou na recuperação e apreensão das mesmas, numa casa de valores na zona de Mem Martins, bem como na residência do assaltante.

O indivíduo detido possui diversos antecedentes criminais pela prática de diversos crimes de furto em interior de residência e veículo bem como de tráfico de estupefacientes, que foram noticiado diversas vezes pelos OCS em 2012, devido ao “modus operandi” de escalonamento de edifícios com o intuito de se introduzir nas residências. Estava a cumprir 3 anos de pena suspensa, tendo já cumprido dois anos de pena de prisão efectiva por furto em residência, na sua forma qualificada.

No dia 15, foi ouvido pelo Juiz de Instrução Criminal que sem qualquer reserva lhe decretou prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Caxias.

De ressalvar que no decurso das diligências referentes a este furto, na madrugada do dia 14, Militares do Posto Territorial de Colares, impediram a realização de um outro furto em interior de residência, no Pinhal do Banzão, tendo detido em flagrante delito, 1 segundo indivíduo, já referenciado, de 21 anos de idade residente em Colares, que já se encontrava no interior da residência o consumar o crime.

O mesmo foi Constituído Arguido e prestou Termo de Identidade e Residência, aguardando julgamento em liberdade.


2015/01/20

Memória da Guerra Colonial/Alfredo Maioto



O CHEFE DA ALDEIA

Ainda vinha longe e já o Sargento Walker Rosenberg, nos seus 1,90 de altura, espadaúdo, levantou a mão num gesto efusivo e logo a seguir, um sorriso enorme no rosto bonacheirão, me estendia a manápula para me cumprimentar.
- Hello my friend.
Conheci o Sargento Walker na operação anterior, perdido dentro do nosso quartel sem saber onde encontrar um local para comer e dormir. Resolvi-lhe o problema e a partir desse momento criou-se entre nós uma amizade espontânea e simples. Aquela era a segunda vez que atuávamos em conjunto com forças rodesianas, uma estratégia conveniente tanto para as nossas forças quanto para eles mesmos. Afinal o inimigo era o mesmo
Todas as manhãs, por volta das seis horas, o sol desperto mas o calor ainda sonolento, partíamos em coluna, normalmente três viaturas, até ao posto de Manengau, localizado na fronteira da Rodésia com Moçambique.
A nossa missão consistia em escoltar até Tete, capital do distrito com o mesmo nome, os camiões Tir que vinham carregados da África do Sul e que seguiam para o Malauí ou para Cabora Bassa, ainda em construção.
O Sargento Walker, na casa dos quarenta anos, era de descendência judia, tendo-se alistado no exército rodesiano como mercenário onde bem poderia servir-se de toda a experiência adquirida na guerra israelo-palestiniana. Era uma pessoa afável, experiente, seguro de si mesmo, olhar firme e gestos calmos, e, apesar da enorme envergadura física, que o tornava bem visível onde quer que estivesse, era uma pessoa de quem se gostava facilmente.
Naquela manhã de  Setembro, na raia da fronteira, deviam estar cerca de 150 homens incumbidos de procederem à “limpeza”. Para os rodesianos não existiam prisioneiros, que são sempre empecilhos. Todo preto apanhado no mato era “limpo” no sentido figurado do termo. Atuavam como profissionais, bem armados, nós como amadores e com armamento ultrapassado. E nestes pormenores residia a extrema diferença entre os dois exércitos!
Desta vez, contudo, a nossa Companhia, empenhada em resultados práticos, fornecera dois pelotões, os restantes elementos pertenciam aos vizinhos rodesianos. Sabíamos que os turras, descidos de Cabo Delgado, andavam na nossa zona em ação psicológica, saltitando dum lado para o outro ao longo da fronteira preparando os ataques. Tínhamos noção que mais dia, menos dia, a guerra rebentava!
- Vamos à limpeza! - Ordenou o alferes Esteves responsável pelas nossas forças.
Foram-me dadas instruções para o meu pelotão caminhar ao longo da fronteira até chegar a uma aldeia chamada Wissinga. Aí novas ordens seriam dadas. Wissinga era uma aldeia pequena encaixada entre dois morros e formada por algumas palhotas onde viviam, segundo indicação do último relatório de 1968, cerca de 50 pessoas.
Quando lá chegámos, por volta do meio-dia, a primeira impressão era que a aldeia estava vazia. Nem vivalma. O calor já apertava. Dois soldados ficaram de sentinela enquanto os outros se estenderam ao longo do aldeamento cercando-o por completo.
O silêncio falava fundo, inquietante. Procurei a sombra de uma palhota e sentei-me no chão, a G3 a meu lado sempre pronta a ser usada se necessário. Tirei do bornal uma lata de atum e um sumo, cortei um pouco de pão já do dia anterior e ligeiramente ressequido devido ao calor, e preparava-me para saborear o almoço.
Uma sombra projetou-se no solo. Levantei os olhos. À minha frente estava um menino sem idade, apenas uma criança de rosto magro, em tronco nu, calções rotos, pés descalços, olhando extasiado para as minhas mãos.
Os olhos estavam carregados de sonhos vazios, inundados de indiferenças, como se a vida estivesse limitada apenas àquele instante de fitar uma lata de atum e um sumo. Caídas ao longo do corpo, pesadas de um cansaço sem nome, as mãos seguravam um mundo sem presente nem futuro, cheias de desesperanças. E quando nossos olhares se cruzaram li nos seus olhos uma súplica contida e impossível de soltar, um desejo irresistível de ter o que tanto queria mas que nunca iria ter. Meu coração encolheu-se de compaixão. E todo meu ser estremeceu.
Instintiva e inevitavelmente estendi-lhe o meu almoço. Surpreso olhou para mim possuído por uma humildade comovente, hesitante em aceitar. Mas depois, muito devagar, confiante, aproximou-se e pegou no que eu lhe estendia esboçando um sorriso tímido. E afastou-se. Segundos depois, porém, voltou mas com ele vinham mais crianças, e mais atrás homens e mulheres da aldeia que se postaram à minha frente em silêncio, corpo estreito, barrigas vazias. Mas, para espanto meu, a criança não tinha comido o que eu lhe tinha dado, continuava a segurar nas mãos a minha oferta como uma dádiva. Perplexo levantei-me. Contemplando-me, quietas, silenciosas, perto de 30 pessoas pediam, com uma humildade chocante, comida para a sua fome. De repente alguém me deu soco no estômago que me avassalou…
O cabo Ribeiro, que tinha assistido a tudo isto e se postara a meu lado, acotovelou-me:
- E agora? 
E agora, meu Deus? Tinha de encontrar uma solução. Raciocinei rápido. Perguntei-lhe se podia dispensar um pouco da sua ração de combate, e logo me respondeu que sim. E de imediato uma lata de salsichas e outra de sardinhas surgiram em suas mãos. Determinado ele mesmo logo tomou a iniciativa de falar com os camaradas para granjear mais alimentos. Todos contribuíram, e no final conseguimos recolher 60 latas. 
Virado para os habitantes perguntei se algum deles era o chefe da povoação. Como ninguém se mexeu pedi a um soldado africano que servisse de intérprete. Então um homem de cabelo grisalho, por fim, alto e magro, dentes meio apodrecidos, adiantou-se. Era ele o régulo. Pedi ainda ao soldado que transmitisse que aqueles alimentos todos, desde sumos a pão, eram para serem distribuídos por todas as pessoas da aldeia. Ninguém falava. No ar um silêncio com cheiro a emoção. Eles simplesmente olhavam para nós sem nada dizer, mas com a gratidão sobejamente estampada nos olhos e no rosto. O cabo Ribeiro quebrou o gelo.
- Já ganharam o almoço, seus malandros! – Tentou gracejar, mas a voz entupiu-se.
Momentos depois, via rádio, chegaram instruções para nos dirigirmos a uma aldeia chamada Sassambo e localizada a uns 10 quilómetros de distância. Consultando o mapa era fácil concluir que para lá chegar tínhamos duas alternativas. A primeira, a mais rápida, seria através da pequena ponte de madeira existente sobre o próprio rio Sassambo, a linha que separava Moçambique da Rodésia. A outra seria através dum trilho pelo mato que nos levava cerca de 200 metros adentro do território rodesiano. A marcha seria mais lenta por causa da vegetação densa, mas talvez mais segura. Porque muito dificilmente nos cruzaríamos com os turras num trilho tao apertado! A opinião generalizada optou pela primeira.
Quando estávamos para partir toda a aldeia veio ter connosco, como que numa despedida. Ao ver que iriamos tomar o caminho da ponte sobre o rio Sassambo o régulo postou-se à minha frente e, abanando a cabeça, com a mão indicava para seguir pelo trilho do mato. Uma vez mais solicitei ao soldado tradutor para perguntar a razão daquela informação, mas o chefe da aldeia insistia sempre no mesmo: deveríamos ir pelo mato. Hesitei. E se fosse uma armadilha? Adivinhando meu pensamento o régulo aproximou-se de mim e postou-se à minha frente encarando-me fixamente. O seu olhar não cedeu um milímetro, e a ternura neles posta era transparente. Li confiança nos olhos e no rosto. Mas acima de tudo muita gratidão. Subitamente estendeu-me a mão e balbuciando em inglês:
- Obrigado.
De repente um clarão me varreu por completo, e entendi com a maior das durezas o drama da população encurralada entre dois fogos e obrigada a pactuar com ambas! Decidi seguir o meu instinto acreditando que aquele homem magro e de dentes gastos não me iria trair, e por isso decidi aceitar o seu conselho. Não me enganei, felizmente. Chegámos a Sassambo sem qualquer percalço.
No dia seguinte, porém, já no quartel e finda a operação, soubemos que os rodesianos tinham sofrido uma emboscada intensa bem junto à ponte de madeira construída sobre o rio Sassambo…

P. Coura, 05/01/2015
Alfredo Maioto



2015/01/19

Destroços do Barco de Pesca Santa Maria dos Anjos naufragado na Praia das Maçãs


Parte dos destroços retirados ontem na Praia Grande do barco Santa Maria dos Anjos, naufragado na Praia das Maçãs dia 14 quarta-feira.
Os destroços encontram-se à guarda dos Bombeiros Voluntários de Colares.  
Dos 5 pescadores desaparecidos, até ao momento nada se sabe.

Iniciativas da Associação de Reformados do Mucifal


União Mucifalense


Crise diretiva na União Mucifalense com fim à vista

Realizou-se na passada sexta feira mais uma Assembleia Geral na União Mucifalense com o intuito de eleger novos Corpos Sociais. Apesar de não ter sido apresentada nenhuma lista para sufrágio, terminou-se a reunião com o compromisso assumido por um sócio de encontrar uma lista para a próxima Assembleia. Tudo indica que no próximo dia 6 de Fevereiro a Assembleia Geral consiga eleger novos Corpos Sociais para a União Mucifalense.
Isto é, sem dúvida, uma boa notícia! O que não será tão agradável é verificar que, perante a declarada crise na União, perante o apelo feito para o apoio dos sócios, perante a possibilidade de encerramento das portas… compareceram à Assembleia cerca de 35 pessoas, num universo de quase 600 sócios, é no mínimo triste.
Infelizmente a crise não parece ser na União Mucifalense mas sim na nossa “união” como sociedade.
As coletividades, instituições e associações, que substituem muitas vezes o Estado nas suas obrigações sociais, permitem que populações, principalmente nas zonas rurais, tenham acesso a cultura, desporto e apoio social. O associativismo é uma forma de voluntariado e parece que cada vez mais, a maior parte das pessoas não mexe uma palha para não perder direitos e qualidade de vida. É triste e desmotivante para quem dá muito do seu tempo livre para uma causa que é de todos (ou deveria ser) …

2015/01/14

30 da Banda da União Mucifalense

Embora com algum atraso, aqui estão alguns momentos vividos nos 
30 Anos da Banda da União Mucifalense


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2015/01/13

São Sebastião em Festa

Com um vasto programa completamente diferente do habitual, iniciam-se na próxima sexta-feira os Festejos em Honra de São Sebastião.


Sport União Colarense



Na presença dos verdadeiros amigos do Sport União Colarense, comemorou-se no passado sábado o 82º. Aniversário do prestigiado Clube.


2015/01/12

123º Aniversário da Sociedade Recreativa e Musical de Almoçageme.


Aspectos das Comemorações do 123º.Aniversário da
Sociedade Recreativa e Musical de Almoçageme.

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2015/01/09

Assembleia-Geral Extraordinária / União Mucifalense

Assembleia-Geral Extraordinária
Talvez a derradeira oportunidade para que as portas da
União Mucifalense não encerrem


2014/12/25

FELIZ NATAL

O Notícias deseja a todos os visitantes um Santo e Feliz Natal



2014/12/20

Uma História de Natal Escrita por Alfredo Maioto



UM NATAL FELIZ

Vi-o e espequei. Ele tinha o rosto completamente espetado contra o vidro devorando todos os bolos expostos na montra, engolindo em seco um a um. As mãos, essas,  estavam refugiadas nos bolsos e o corpo todo encolhido em luta contra o frio que imperava. Aproximei-me e sorri-lhe. Primeiro olhou para mim com receio, mas depois, ao ver meu sorriso franco, desarmou um pouco. Aproveitei a brecha.
- Tens fome? – perguntei.
Que pergunta tão estúpida a minha! A fome, juntamente com o frio,  estava bem estampada em seu rosto! Mas a verdade é que eu apenas pretendia meter conversa, e essa pergunta, pecando por imprópria, foi aquela que primeiro despontou na minha cabeça. Ele acenou que sim, receoso ainda quanto às minhas pretensões. Murmurei baixinho um “ anda comigo “ depois estendi-lhe a mão que ele aceitou timidamente e entrámos na confeitaria. Lá dentro uma agitação intensa e um calor sufocante. Os empregados corriam em mangas de camisa dum lado para o outro numa azáfama desritmada, e as pessoas movimentavam-se apressadas na tentativa de comprar o bolo rei para a ceia de Natal. Colocado por cima da máquina de café, no meio da sala, o relógio de parede assinalava as cinco horas da tarde.
Casualmente um casal levantou-se e logo aproveitei para me apossar da mesa, e sentámo-nos.
O meu amiguinho, contudo,  sentia-se deslocado do ambiente, sem dúvida nada acostumado a frequentar ambientes como aquele. Envergava um blusão azul com gola em vermelho muito gasto já, mas limpo, embora ligeiramente grande para a sua idade, herança, talvez, de algum irmão mais velho, pensei. Descalçando as luvas e tirando o cachecol, ao mesmo tempo desejoso de conhecer sua história, abri-me num sorriso largo e disse-lhe:
- Hoje é dia de Natal, podes comer os bolos que quiseres.
Os olhos arregalaram-se, incrédulos, e instintivamente o corpo atirou-se para a frente cheio de ansiedades. Todos os que quisesse? E os que quisesse? Respondi que sim, e de seguida chamei o empregado. Primeiro saciar-lhe a fome, e só depois é que seria tempo para saber quem ele era. Reparei que seus modos eram recatados, notava-se que tinha uma educação bastante esmerada apesar das roupas pobres, e o  olhar era doce, meigo, inspirador de confiança. Sobrepondo-se ao ruído existente no espaço, aproximou o rosto do meu e esboçando um sorriso humilde, baixinho:
- Obrigado.
Um canal da televisão apresentava um programa com músicas natalícias, enquanto um outro passava um filme adequado à época.  Curiosamente, contudo, reparei que o menino tinha pedido ao empregado apenas uma fatia de bolo rei. E quando ela chegou, em vez de comer sôfregamente como eu esperava, primeiro pegou nela com o mesmo carinho com que bem poderia ser uma prenda, mirou-a dum ponta à  outra, cheirou-a e só depois é que deu uma pequena dentada. Perguntei, intrigado, se não estava boa, mas ele logo me tranquilizou:
- Não, senhor. Nós é que lá lá em casa, como não temos dinheiro, não comemos bolo rei. Só comi uma vez.
Aproveitei para dizer que meu nome era Pedro, e, para o deixar mais a-vontade, acrescentei que  ficaria muito contente se ele me tratasse pelo nome. Esboçou um sorriso frouxo. Continuava a saborear o bolo, mastigava  com lentidão como a querer deixar dentro de  si, por tempos infindáveis, aquele sabor. Quando acabou de comer timidamente perguntou:
- Senhor,posso pedir uma bola de Berlim?
Voltei a pedir para me chamar pelo nome, e sempre em ritmo folgazão respondi que podia pedir o que quisesse, mas quando a fatia chegou de imediato começou a embrulhá-la num guardanapo de papel. Admirado quis saber porquê.
- É para minha irmã Sónia. Ela gosta muito. – e, sem pressas, como se a resposta fosse a coisa mais natural do mundo,  bebericou um pouco do chocolate quente.
Desviei os olhos atingido pelo este gesto tao belo. Mas tranquilizei-o, insisti que podia comer o que quisesse, depois pensaríamos na sua irmã, combinado? Concordou, e a guloseima depressa se misturou na fome que tinha mas contida. E então falou.
Chamava-se João, ia fazer sete anos em Março próximo, e vivia com a mãe e a irmã, mais nova que ele dois anos, numa casinha perto da Areosa. A casa só tinha um quarto, e por isso dormiam os três na mesma cama. Não tinha pai, o pai tinha morrido num acidente de motorizada quando ele tinha quatro anos, repetia a mãe muitas vezes, e sempre que o fazia chorava. Vinha do trabalho mas um camião desgovernado apanhou-o na sua mão e matou-o. Lembrava-se bem dele, e tinha saudades, muitas.
Os olhos de repente perderam brilho e o rosto afundou-se numa tristeza súbita e muitas vezes repetida. Passou a manga do blusão pelos olhos já húmidos.
- Sabes, minha mãe trabalha muito e passa o tempo todo a chorar.
Em gestos lentos bebeu o resto do chocolate e olhando para mim com os olhos cheios de gratidão:
- Obrigado, Pedro.
De repente, num gesto espontâneo, levantou-se e abraçou-me. Eu tive de refrear a emoção, nesse instante uma lágrima ameaçou desprender-se, e, tocado pelo seu gesto tão meigo, envolvi-o também num abraço atacado por uma ternura quase paternal… Querendo disfarçar minha comoção imprimi à voz um tom alegre e atirei:
- Vens comigo ao balcão?
Pedi ao empregado para  embrulhar um bolo rei, uma dúzia de rabanadas e uma outra de filhoses. Depois pus-lhe o braço por cima dos ombros e saímos do pão quente. O meu carro estava ali perto, chegámos depressa. Pedi-lhe para entrar, e já dentro da viatura, voltado para o meu amiguinho:
- Posso levar-te a casa?
Entusiasmado logo respondeu que sim, mas com a mesma impetuosidade com que disse que sim retraiu-se, dominado por pensamento inesperado. Estranhei, quis saber o porquê da mudança tão repentina de sua reação.
- Minha casa é muito pobrezinha, tenho vergonha…
Fiz-lhe uma festa no nariz, ele achou graça e riu. E acabei por levá-lo a casa.
Já à mesa, o prato fumegante do bacalhau e das couves como manda a tradição, contei o que se tinha passado, e logo todos quiseram saber como tudo tinha acabado. Tive de contar tudo tintim por tintim. No final do meu relato, e com a aprovação tácita de toda a família pelo meu comportamento, minha avó, nos seus enérgicos e lúcidos 85 anos, com o dedo em riste voltado para meus pais, meus irmãos e os dois sobrinhos, ordenou:
- Amanhã vamos lá a casa dele e levamos o que arranjarmos. E comida também.
No dia seguinte batemos à porta de alguns vizinhos e amigos mais chegados, expusemos a razão do nosso pedido, e assim, por volta do meio dia, aparecemos em casa do meu amiguinho João carregados de roupas, brinquedos e comida para toda a família.
Ao almoço minha mãe, o rosto iluminado por uma alegria orgulhosa, e enquanto saboreávamos o tradicional farrapo velho e também cabrito assado no forno, balbuciou:
- Partilhar é uma parte da nossa Felicidade!
Foi a primeira vez que ouvi a palavra partilha, mas nunca mais a esqueci!
Aquele foi um Natal verdadeiramente feliz.
P. Coura, 12/12/2014
Alfredo Maioto

2014/12/12

BAZAR DE NATAL

BAZAR DE NATAL
NO MERCADO DA PRAIA DAS MAÇÃS


2014/12/11

CEDCRAM - 35º Aniversário


O CEDCRAM (Centro Educativo Desportivo Cultural e Recreativo das Azenhas do MAR) no âmbito das comemorações do seu 35º. Aniversário homenageou 3 dos seus mais emblemáticos fundadores, José Miguel Fonseca, António Bernardino Paulo da Silva e José das Neves.
A Orquestra da S.R.M. Almoçageme associou-se ao evento contribuindo com um concerto o que alegrou as comemorações.

2014/12/09

União Mucifalense - Crise Diretiva

E se lhe dissermos que a União Mucifalense pode fechar?

Realizou-se na passada 6ª.feira, dia 05/12, uma Assembleia Geral de sócios da União Mucifalense com o objetivo de eleger novos órgãos sociais. Esta é já a segunda tentativa de eleição, em cerca de 2 meses, e mais uma vez sem resultados.
A direção da União cessou funções em finais de Outubro e até ao momento não surgiu nenhuma lista para os órgãos sociais. Os elementos anteriores mantêm uma gestão administrativa mas a situação não se poderá perpetuar por muito mais tempo.
Está marcada nova Assembleia Geral de sócios para meados de Janeiro onde, caso não existam interessados em formar uma nova direção, se discutirá a forma de dissolução desta coletividade.
A União Mucifalense é a maior e mais eclética associação cultural e desportiva da Freguesia de Colares. Com dezenas de utilizadores diários, esta coletividade coloca ao dispor da comunidade excelentes condições para a prática ou a aprendizagem de atividades que vão da música ao teatro, do futebol ao judo entre outras atividades desportivas.
Todos sabemos que o associativismo é cada vez mais difícil, seja pela vida agitada e individualista que levamos, seja pela falta de apoios e escassos recursos com que as instituições de deparam, mas deixar morrer um sonho...?

2014/12/04

23º Aniversário da Orquestra Ligeira da S.R.M. Almoçageme



Iniciativas da APRIA

Numa Iniciativa da Associação de Reformados de Almoçageme
Realiza-se no próximo fim-de-semana  na Sede da Associação
VI Mercado de 2ª. Mão


2014/12/02

Escola da Sarrazola - Eleição para Associação de Pais


Em assembleia realizado passado dia 28 de Novembro na Escola da Sarrazola, teve lugar a eleição para os Órgãos Sociais da Associação de Pais da Escola da Sarrazola (ASPES) para o período de 2014/2015.

Resultados

Assembleia Geral
Presidente – Maria João Câmara
Secretário – Sónia Firmino
Vogal – Sandra Maria da Costa Santos
Suplente – Odete Carvalho

Direcção
Presidente – António José Fonseca
1º Vice-Presidente – Sónia Rodrigues
2º Vice-Presidente – Rui Cardoso
Tesoureiro – Isabel Poeira
1º Vogal – Bénedict Daoust
2º Vogal – Patrícia Faria
1º Suplente – Gabriel Oliveira Pestana
2º Suplente – Susana Maria Valente

Conselho Fiscal
Presidente – Vasco Martins Correia
Secretário – Susana Grilo
Vogal – Benvinda Alexandre
Suplente – Rita Carretero