O Ouriço-cacheiro é um dos mais conhecidos animais da nossa fauna. Apesar do seu aspecto severo, é inofensivo, podendo viver tranquilamente nos nossos jardins. Os espinhos são usados apenas como protecção contra predadores.
Embora em Portugal ainda não seja uma espécie ameaçada, resta saber até quando, devido ao ritmo assustador com que são mortos nas estradas.
Na Praia das Maçãs esse problema parece não existir, numa casa na Praceta dos Lobos, a D. Virgínia Batista, faz jus em manter bem viva a espécie. Desde há uns anos para cá um casal desta espécie invadiu o seu jardim e tem-se reproduzido em série.
Falámos com a D. Virgínia onde ela nos confessou que tem um grande amor por tudo quanto é bicho, mas os ouriços são um caso especial, pois a maioria já nasceu no jardim da sua casa e reconhecem-na como fazem os seus cães.
Gostámos muito da atitude da D. Virgínia Batista.

IDENTIFICAÇÃO E CARACTERÍSTICAS
Ouriço-cacheiro Erinaceus europaeus é um mamífero pertencente à ordem Insectivora e à família Erinaceidae. A sua identificação não levanta qualquer tipo de problemas, pois trata-se do único mamífero da nossa fauna que apresenta o corpo coberto por espinhos (cerca de 6 mil), que não são mais que pêlos modificados. Estes pêlos bastante aguçados têm entre 2 e 3 cm e cobrem o animal no dorso e flancos. O ventre, castanho-acinzentado, está coberto de pêlos. Quando se sente ameaçado, enrola-se sobre si próprio, escondendo as suas pequenas patas e as áreas desprovidas de espinhos, transformando-se numa “bola com picos”, bastante difícil de penetrar. Os espinhos possuem anéis alternadamente claros e escuros (com uma banda preta na ponta), que fazem variar a cor dos indivíduos entre o amarelado e o castanho. A cabeça distingue-se facilmente do resto do corpo, os olhos são grandes, as orelhas são relativamente pequenas e possui uma cauda rudimentar. Não existe dimorfismo sexual entre machos e fêmeas. O comprimento do corpo varia entre 20 e 35 cm e a cauda entre 10 e 20 cm. Os animais adultos pesam em média 700 g, podendo este valor variar entre 400 e 1200 g. Um animal que não possua, pelo menos, entre 500-600 g terá dificuldade em sobreviver ao período de hibernação.
Cara D'Anjo e Susana