2012/12/27

Reveillon 2013 na S.R.M.Almoçageme

À semelhança do ano passado a Sociedade Recreativa e Musical de Almoçageme, organiza na sua sede a tradicional e animada Passagem de Ano (Reveillon). 


2012/12/26

Memórias da Guerra Colonial / Por Alfredo Maioto

Capitulo 2 
O TURRA

O meu inimigo de outrora falava com lentidão como se fosse dono do tempo. Falava em gestos curtos e simples. Eu queria responder que sim, que tinha estado em Changara entre 1971  e 1973, mas as palavras ficaram presas por um sufoco  esquisito. Pigarreei, voltei a pigarrear, e desculpei-me dizendo que estava constipado. O Tatia, sempre atento,  sorriu, deu-me uma palmada no ombro.
- António, meu amigo, os anos passaram não há mais guerra colonial… - e soltou uma gargalhada leve. Eu acenei que sim, voltei a tossir com estrondo na tentativa vã  em recompor-me, e balbuciei meio sem jeito:
- Tens razão, já la vao quarenta anos…  Quase envelhecemos.
Rimos os três, e cada um de nós apontou com o olhar os cabelos brancos de cada um de nós. Vieram mais duas Laurentinas e mais dois pratos de marisco. De repente o tal Cassamo disse:
-  Pensa muito na sua guerra, António?
Bateu forte a pergunta. Mexi-me e remexi-me na cadeira sem atinar com a posição adequada.
-  Sim, penso . Não dá para esquecer – cruzei as mãos, inquieto. Depois olhei-o firme nos olhos e disparei:  - Nos vivos e nos que morreram…
Ele entendeu o tom endurecido de minhas palavras mas não se perturbou. Bebericou mais um pouco da sua Laurentina e  com suavidade balbuciou:
- Peço desculpa pelos seus amigos que morreram.  São as contingências da guerra e uma guerra causa sempre muita dor em ambos os lados…
Senti autenticidade nas suas palavras e na humildade de repente despontada no seu rosto. Os olhos diminuíram de brilho. E eu, em vez de amansar o turbilhão que me consumia a alma, ainda fui mais caustico ao dizer:
-  Voces mataram meu melhor amigo numa emboscada no dia 15 Agosto de 1972… Dois tiros na cabeça vindos do meio do capim…
Ele suspendeu o gesto de meter à boca o camarão e olhou para mim muito sério. No ar, de repente,  rebentou um silencio com cheiro a pólvora. Da rua, aqui e além, sem pressas, chegava-nos o ruído dos carros a passarem. E então, numa voz baça e quase imperceptível, Cassamo confidenciou: 
-  Fui eu que  comandei  esse ataque… Lamento, lamento muito.
Pensei que, arrependido, me fosse abraçar tão perturbado o vi. Os ombros subitamente caíram ao longo do corpo devido ao enorme peso da mágoa. E pude ver, nítida e autentica, bem funda, uma lágrima despontada em seus olhos… Engoli em seco. E num segundo, às pressas, emborquei a cerveja que ainda tinha no meu copo.
- Isto é maning triste, pá – era o Tatia mais uma vez, sempre atento ao desenrolar do nosso encontro. E brincalhão  - Até parece que estamos em algum velório…  Nós os três sabemos bem o que é a guerra, vamos beber um copo por todos os nossos amigos que andaram la… 
Fim do Capitulo 2


Resultados da União Mucifalense


2012/12/22

Memórias da Guerra Colonial / Por Alfredo Maioto


O TURRA

Sentia as mãos transpiradas de tanto nervosismo. E de repente, o corpo desconfortável e a mente cheia de impaciências, saiu-me uma interrogação macabra: afinal que fazia eu ali, noutros tempos um café de risos e encontros felizes, mas hoje de aspecto sinistro e carcomido pelos anos com as teias de aranha adornando as janelas????
Há tempos atrás, encontrando-nos no Skype, confidenciei ao meu amigo Tatia que gostaria muito de conhecer algum turra que tivesse operado na minha zona, no distrito de Tete, nos tempos em que la estive a cumprir a minha comissão. Julguei, contudo, que minha confissão caísse no esquecimento e meu desejo mais não fosse que simples anseio … Engano meu! No mês passado, porém, inesperadamente, o Tatia mandou uma mensagem a dizer que podia ir a Inhambane conhecer um turra que tinha operado na minha zona entre 1970 – 1973. Ao ler essa notícia estremeci invadido por uma mistura de sentimentos dispersos e contraditórios. Hesitei. E agora, naquele sábado de Agosto, ali estava eu no café Alvorada aguardando a chegada desse alguém estranho e outrora meu inimigo.
Não decorreu muito tempo quando um homem de estatura media, calça de ganga e camisa azul aos quadrados, barba de vários dias crescida ao acaso, aproximou-se de nós repartindo o olhar entre o Tatia e a minha pessoa, e plantando-se à nossa frente em silêncio, sorridente. Tatia levantou-se e estendeu-lhe a mão, saudaram-se com efusão e vastos sorrisos.
- Antonio, apresento-te o meu amigo Cassamo – disse de repente o Tatia virado para mim.
Sua voz, nervoso como eu estava, pareceu-me, saiu como uma rajada curta de G3… E indiferente ao nosso mutismo, como se desse a noticia mais banal do mundo, completou:
- O Cassamo esteve a operar na zona de Tete durante 5 anos, 3 como comandante na zona de Changara.
Estremeci. O coração quase parou. As pernas vacilaram. Sem me dar conta metralhei meu olhar frio no desconhecido postado à minha frente, barriga um pouco abastada, a camisa despreocupadamente saída das calças, rosto cansado próprio de quem já viveu emoções fortes. Fitamo-nos por segundos que me soaram a séculos  todo meu ser dominado por emoções vindas do fundo mais longínquo do meu ser e albergadas durante quase quarenta anos…. Mas vinda doutra galáxia de novo a voz do Tatia, quase em sussurro:
- António, não apertas a mão ao Cassamo??? – a pergunta continha ironia  e uma leve censura.
Como que saí da hipnose, e só então me apercebi que o recém-chegado me estendia a mão. Envergonhado quase senti o suor a escorrer-me das mãos e a cair em cima da cadeira velha. E por milésimos de segundo hesitei em responder positivamente à pergunta do meu amigo Tatia, mas foi o estranho que simplificou as coisas, dizendo:
- Prazer em conhece-lo, António. O Tatia falou-me muito de si. Seja bem-vindo a Inhambane.
A voz era calma e o olhar amistoso. Admiti, sem o pretender, que ele era uma pessoa simpática, desse tipo de pessoas de quem se gosta facilmente. Então nossas mãos estreitaram-se. O seu aperto foi forte, característica de quem está acostumado a não perder tempo a tomar decisões, ao mesmo tempo que um sorriso simples escorria em seus lábios. As mãos eram grossas e calejadas. O Tatia, perspicaz, e entendendo bem a complexidade do momento, chamou o empregado e mandou vir uma Laurentina e três copos.
La fora o calor ia tomando conta da cidade. Mas eu ainda não tinha recuperado a normalidade. Faltava-me o ar. Devia ser do Alvorada onde vivi tempos num tempo inapagável. Talvez a saudade, talvez a memória traquina a martirizar-me a memória arrastando-me numa viagem avassaladora até ao passado. Talvez a culpa fosse do Alvorada, ia-me ingenuamente enganando…
- Quando o Tatia me propôs esta reunião eu concordei de imediato. Já la vão quarenta anos… Esteve em Changara, não foi?
Fim do primeiro capitulo


2012/12/19

Festa de Natal na União

A União Mucifalense realizou no passado domingo, dia 16/12, a sua Festa de Natal.
O salão da União encheu-se para o almoço convívio e para assistir à apresentação dos alunos da Escola de Música e ao concerto pela Banda da União.
Durante o concerto da Banda foi apresentado de um novo instrumento, um trombone de varas, adquirido graças à angariação de fundos em diversas iniciativas da secção de Música da União.
Um dos momentos mais importantes da festa foi a entrega de diplomas aos 9 novos membros que integraram a Banda da União, durante os últimos 6 meses, e também a entrega de 2 placas comemorativas de 5 e 20 anos ao serviço da Música.

Num tempo em que os jovens se interessam cada vez menos pelas artes é de louvar que uma Banda como a da União Mucifalense consiga incluir nos seus elementos 9 músicos, todos eles saídos da Escola de Música. Isto demonstra que a escola de Música faz um trabalho de extrema importância ao serviço da cultura, junto da nossa comunidade. 

A União Mucifalense encerrou a sua festa enderessando Boas Festas a todos os presentes e também agradecendo a todos os que tornam estes eventos possíveis.



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2012/12/17

Cachalote na Praia das Maçãs


Hoje ao cair da noite fomos alertados, para um cachalote que tinha dado à Praia das Maçãs (Boca do Rio). Realmente fomos encontrar algo que dado a hora tardia e a avançada decomposição do animal, não chegamos a uma conclusão. Para golfinho era demasiado grande, para cachalote demasiado pequeno. Amanhã com luz diurna esclareceremos o enigma. 


2012/12/14

CEDCRAM 33º. ANIVERSÁRIO

No passado dia 9 do corrente mês, o CEDCRAM (Azenhas do Mar) comemorou 33 anos de existência.
A data foi assinalada com uma simples festa ma carregada de simbolismo e fraternidade.
Apesar de ser uma comemoração apenas para sócios, amigos, e convidados estiveram presente para além dos órgãos sociais, Rui Santos presidente da J.F.Colares, e Dr. Marco Almeida vice-presidente da C.M.Sintra.
O Notícias saúda  o CEDRAM pelos 33 anos de vida. 


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2012/12/10

Ulgueira



 A Ulgueira festejou no sábado dia 8, o dia da sua padroeira (Nossa Senhora da Conceição).
Depois de missa celebrada pelo pároco da freguesia padre José António Silva, seguiu-se a  procissão pelas ruas da povoação.

2012/12/07

Ainda o Resgate na Praia Grande


Video Completo do excelente trabalho da F.A.Portuguesa e dos B.V.Almoçageme, no resgate do cidadão inglês no Sealqueve / Praia Grande

2012/12/04

21º. Aniversário da Orquestra da S.R.M. Almoçageme


A Orquestra da Sociedade Recreativa e Musical de Almoçageme festejou no passado dia 1 (sábado) o seu 21º. Aniversário.
O evento teve lugar na sede da Sociedade, onde atuaram para iniciar a noite, a escola de música da Banda. Após os mais novos demostrarem os seus valores e serem bastante aplaudidos, seguiu-se a atuação da Orquestra da S.R.M. Almoçageme.
O Notícias deseja à Orquestra Longa vida e grandes êxitos.  

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2012/12/03

Resgate nas arribas pelos B.V.Almoçageme e F.A.Portuguesa


Hoje cerca das 10 horas da manhã os Bombeiros Voluntários de Almoçageme foram alertados por um pescador para um possível acidente a sul da Praia Grande (Sealqueve). De imediato a equipa de resgate dos BVA, dirigiram-se para o local onde vieram a verificar que se encontrava um individuo no fundo da falésia junto ao mar. Após a chegada ao local de difícil acesso e ministrarem os primeiros cuidados à vítima que se encontrava bastante debilitada, os bombeiros concluíram que a retirada da vítima só seria possível por meios aéreos, o qual se veio a verificar com um helicóptero da Força Aérea Portuguesa.
Depois de algumas informações recolhidas, soubemos que vítima é um cidadão inglês com cerca de 35 anos que praticava surf n Praia Grande e que foi arrastado para o local onde viria a embater nos rochedos do sealqueve. A vítima já se encontrava no local onde foi encontrado desde ontem ao meio dia. 
O Notícias esteve no local e verificou o excelente trabalho em conjunto da equipa do hélio Merlin e a equipa de resgate dos B.V. Almoçageme.
Mais uma vez se verificou que os nossos Bombeiros estão aptos e enfrentar qualquer situação para que sejam chamados a intervir.
Na operação de resgate estiveram envolvidos, Força Aérea Portuguesa, Polícia Marítima e Bombeiros Voluntários de Almoçageme.   


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